
Depila
Setembro 4, 2008No segundo dia de aula, que considero tão ruim quanto ou até pior que o primeiro, [já é necessário dar sorrisos e acenos sem graça para todos que te viram no dia anterior e estão loucos pra fazer amizade, o incômodo] vi um garoto que tinha o cabelo cor de caramelo escuro, bem doce, fios crocantes de açúcar queimado. Nunca gostei muito de doces, mas os acho bonitos [como os melões que têm gosto de nada, mas possuem o amarelo mais deslumbrante que já vi]. Fevereiro, sempre tão quente e abafado, pensei em abelhas, que fossem fios de mel.
Ele colocou o boné, seus cabelos derretidos pelo calor duplamente abafado, como cera.
A última frase me causou o impacto e o estranhamento de um devaneio digno de Gabriel Garcia Marques em “Cem Anos de Solidão”, um realismo fantástico onde cabelos e caramelos, e sentidos físicos (sabor, calor, cor, textura) se combinam pra compor um quadro de sensações poéticas, de observação terna e interessada.
A literatura das sensações. *-*